LICENCIATURA EM LETRAS-PORTUGUÊS EAD NA UNB

No início da década de 1990 os cursos de licenciatura da Universidade de Brasília passam por um avance fundamental àquelas que seriam, futuramente, as bases da implantação do curso de Letras Português EAD na UnB. Isso começa a acontecer, à época, com a criação do Grupo de Acompanhamento dos Cursos Noturnos de Licenciatura, que pretendia acompanhar, discutir e avaliar a implementação dos cursos noturnos de licenciatura. A proposta do curso noturno de Letras Português licenciatura era já voltada à evolução, posto que somava as três décadas de experiência dos cursos diurnos, mais as correções aos mesmos estimuladas pelas críticas sofridas ao longo desse período e as inovações referentes a este segmento da educação que eram observadas em todo território nacional naquele momento.

Este grupo de acompanhamento, em 1997, em seu relatório final, propõe a criação de um grupo permanente de acompanhamento das licenciaturas. Surge assim o GPAL, que figurou ativo durante a gestão do reitor Lauro Morhy. Os dois grupos tinham em comum a defesa da interdisciplinaridade e da organicidade do currículo.

Paralelamente a isso, o Instituto de Letras, através de seus principais representantes de cada área sua, se organiza e debate por três anos sobre mudanças nos currículos de letras levando em consideração e utilizando os avanços conquistados pelos dois grupos já citados e a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-LDBEN. As propostas formuladas foram aprovadas e implementadas pelo Decanato de Ensino de Graduação-DEG.

As mesmas propostas são adotadas pelo programa Universidade Aberta do Brasil para a formulação do projeto para o curso de Licenciatura em Letras-Português na modalidade a distância. Em 2006, o projeto é aprovado pelo MEC. Sua estrutura é um legítimo diálogo entre o projeto e a modalidade presencial do curso. Alguns dos seus objetivos principais era a democratização do curso e a interiorização do mesmo ao país.

No início de 2007 acontece o primeiro vestibular para os cursos da UAB na UnB, dentre os quais está o de Licenciatura em Letras-Português. O certame tem as características idênticas aos concursos para cursos na modalidade presencial. Em todos os quesitos (princípios teóricos, bases de implantação, objetivos e finalidades de formação), este curso é, de fato, uma das modalidades de licenciatura da Universidade de Brasília. Seus objetivos, segundo o Projeto Político-Pedagógico de Licenciatura em Letras Português da UAB (p. 3), são:

1) Formar de modo consistente e atualizado o educador nos conteúdos de sua área de atuação;

2) Dar ao educador uma formação teórica sólida e consistente sobre educação e os princípios políticos e éticos pertinentes à profissão docente;

3) Desenvolver a compreensão do educador como sujeito capaz de propor e efetivar as transformações político-pedagógicas que se impõem à escola;

4) Desenvolver a compreensão da escola como espaço social, sensível à história e à cultura locais;

5) Viabilizar a apropriação pelos educadores das tecnologias de comunicação e informação e seus códigos;

6) Estimular a construção de redes de educadores para intercâmbio de experiências, comunicação e produção coletiva de conhecimento.

A Licenciatura de Letras-Português na modalidade a distância se apoia em duas dimensões curriculares: A epistemológica e a profissionalizante. A primeira é efetivada na escolha e nos recortes teórico-metodológicos das áreas e disciplinas que integram o currículo da educação básica. A segunda fornece os suportes teórico-práticos do fazer do professor em língua materna em todas as suas relações sociopolíticas e culturais.

O curso de Letras/EAD na UnB está vinculado ao Instituto de Letras da Universidade de Brasília. É destinado a qualquer cidadão com a educação básica concluída, aprovado no processo seletivo e atendente os requisitos exigidos pela instituição pública vinculada ao Sistema Universidade Aberta do Brasil-UAB. Disponibiliza, por ano, 360 vagas.

Esta modalidade do curso visa qualificar a docência dos interiores do país, posto que as dificuldades de se formar professores através de graduações de alta qualidade em inúmeras regiões do Brasil é imensa. Então uma das formas de se resolver este problema é justamente com cursos como os da UAB, incluindo este, de Licenciatura em Letras-Português na UnB, cuja forma de atendimento se dá através de polos espalhados em diversas cidades do país, conectados à matriz, em Brasília-DF.

A definição dos atores em Letras EAD

A equipe pedagógica é formada por professores autores, supervisores, revisores, tutores a distância e presenciais, coordenador de curso, coordenador pedagógico, coordenador de tutoria e coordenadores de polo. A equipe administrativa é formada por gestor, secretários e coordenador de curso.

De natureza eminentemente interdisciplinar, o projeto de Licenciatura em Letras-Português conta com professores autores em várias áreas da construção do conhecimento pertinente ao ensino de Letras, Pedagogia, Psicologia e EAD. Dessa forma, tanto a elaboração do material quanto a supervisão de formatação de tutores são de responsabilidade da UnB, respeitadas as especificidades das áreas (Linguística e Língua Portuguesa, Literatura e Teoria da Literatura, Formação Pedagógica). À medida que os fascículos foram organizados e elaborados, as áreas foram sendo constituídas, com os profissionais especificados nas listas de docentes.

No polo - município

a) Coordenador de polo

É o responsável pelas atividades acadêmicas dos cursos ofertados no polo e pelas condições para a permanência do aluno no curso, criando um vínculo mais próximo com a universidade.

b) Tutor presencial

O tutor presencial tem, na educação a distância, as seguintes funções:

  • ser responsável por uma turma de 25 a 30 alunos no polo;

  • auxiliar o aluno a resolver suas dúvidas com relação à utilização dos recursos tecnológicos, requeridos e utilizados no módulo em desenvolvimento;

  • dirimir dúvidas dos conteúdos específicos do módulo.

Na UnB

a) Coordenador(es) do curso

São os profissionais responsáveis pelas articulações em setores específicos e que transitam pelos diversos tipos de atividades no sistema geral.

b) Professores autores

São os responsáveis pela produção do material didático do curso. Formam as equipes de produção dos módulos, por área de conhecimento.

c) Professores supervisores

Têm como função acompanhar e apoiar as atividades dos tutores a distância. Estão em contato com professores autores, caso não sejam os responsáveis pela elaboração do módulo. O professor supervisor da disciplina acompanha o desenvolvimento do curso em seus aspectos teórico-metodológicos e operacionais. Esse profissional deve formar os tutores a distância segundo o Projeto Político-Pedagógico, minimizando as diferenças na condução da ementa da disciplina e do currículo do curso. Deve monitorar e acompanhar o trabalho dos tutores a distância.

Juntamente com os tutores, ele compõe o colegiado do curso em cada universidade. Deve ser um professor com mestrado ou doutorado na área e com experiência no curso.

d) Tutores a distância/professores mediadores

Aos tutores a distância cabem as seguintes funções:

  • acompanhar o desenvolvimento teórico-metodológico do curso;

  • desenvolver instrumentos de avaliação;

  • acompanhar as aulas práticas e as avaliações;

  • corrigir e dar retorno aos alunos nas avaliações a distância;

  • auxiliar os tutores em suas dúvidas;

  • atender e ajudar alunos nas questões teórico-metodológicas do curso.

Os tutores a distância devem, necessariamente, ser professores, ativos ou aposentados, ou mestrandos com graduação compatível com a área de atuação no curso, dependendo das características e das demandas de cada módulo. Mesmo sendo mestres, mestrandos ou doutorandos, devem ter qualificação e experiência na área de conhecimento compatível com o módulo em oferta.

Cada tutor a distância é responsável por uma disciplina/módulo que atende de 25 a 30 alunos e deve residir na sede da universidade responsável pela oferta do curso.

Desafios para institucionalização do curso de Letras-Português EaD na UnB: primeiras conclusões

Para construir uma comunidade de gestores dos programas UAB foram constituídos fóruns específicos para os coordenadores da UAB e dos respectivos projetos de cursos no AVA. A interatividade on-line propicia a constituição de uma comunidade de aprendizagem em rede, sob os princípios da EaD: cooperação, colaboração, respeito, individualidade, interação e autonomia. Além desse ambiente de interação, seminários de divulgação da UAB na instituição, abertos à comunidade local, têm sido realizados, e mostram-se espaços frutíferos para a reflexão sobre temas educacionais pertinentes à modalidade EaD.

A complexidade que envolve a implantação da modalidade EaD em uma instituição de ensino superior como a Universidade de Brasília impulsiona a ação coletiva focada na acessibilidade à educação pública de qualidade.

O cenário da EaD na Universidade de Brasília acompanha as inúmeras experiências com ensino a distância em andamento no Brasil, e essa é uma iniciativa que promove a quebra de paradigmas no tocante às rotinas acadêmicas, uma vez que essas passaram a contar com outra possibilidade de realização, o ambiente virtual de aprendizagem Moodle. Trazer para academia o espírito inovador da modalidade EaD significa incluir no cotidiano universitário uma rede de conexão com velocidade muito maior e que permita a ação coletiva em torno de ideias compartilhadas.

Promover a educação a distância, além de outras coisas, possibilita-nos o desenvolvimento de habilidades e rotinas para navegar no novo cenário midiático: a internet.


Fonte: Trajetórias das Licenciaturas da UnB 2 (Percursos e avanços da Licenciatura em Letras-Português EaD na UnB, pg. 221)