Relatório Delors e os Pilares da Educação no século XXI 

Em novembro de 1991, seguindo recomendação da Conferência Geral,  em 1993 foi criada Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI. Financiada pela UNESCO, era coordenada por Jacques Delors e era composta por mais 14 especialistas de renome, provenientes de todas as regiões do mundo, atuantes em diferentes campos culturais e profissionais, com a incumbência de "refletir sobre a educação e a aprendizagem no século XXI",   (vide o arquivo completo do Relatório DELORS, 1996, p.39 e seguintes). 

A Comissão trabalhou em diversas sessões plenárias de trabalho, além de organizar grupos de trabalho  cujos participantes possibilitaram abarcar muitas dimensões da vida sociocultural, como atividades, profissões e organizações, focalizando suas relações diretas ou indiretas com a educação formal ou não formal. Desse modo, foram consultados professores, pesquisadores, estudantes, integrantes do governo, membros de organizações governamentais e não governamentais, atuantes em âmbito nacional e ou internacional. Como oportunidades para estudo, análise e troca de ideias, também foram feitas consultas individuais, questionário às comissões nacionais da UNESCO,  reuniões governamentais e não governamentais. (idem, p. 40).

"Foram escolhidas seis pistas de reflexão e de trabalho, a Comissão pôde abordar sua tarefa do ponto de vista das finalidades (individuais e societais) do processo educacional: educação e cultura;educação e cidadania; educação e coesão social; educação trabalho e emprego; educação edesenvolvimento; educação, pesquisa e ciência." (...) completadas pelo estudo de três temas transversaisque estão relacionados, mais diretamente, com o funcionamento dos sistemas educacionais, a saber: as tecnologias da comunicação; os professores e o processo pedagógico; o financiamento e a gestão." (ibid., p. 40)

Desse trabalho, quatro grandes dimensões foram detalhadas, que passaram a ser conhecidas como pilares da educação, influenciando instituições em todo o mundo, no mundo empresarial e no ambiente educacional. Desde essa época tem impregnado propostas de formação continuada de profissionais e formação inicial dos cidadãos em todo o mundo.  E quais são eles? 

Conforme o relatório DELORS o pilar aprender a ser, tem sua importância para que o indivíduo possa se desenvolver, da melhor maneira possível, a sua personalidade e para que possa estar em condições de agir com uma capacidade cada vez maior de autonomia intelectual, discernimento, fazendo por si só seus próprios juízos de valores e criando uma responsabilidade pessoal, sabendo lidar com a várias circunstâncias e situações da vida.

Esse pilar engloba dimensões essenciais da pessoa, ou seja, deve levar em consideração todas as potencialidade de cada um: mente, inteligência, sensibilidade, senso ético, estético e responsabilidade individual, por isso os educadores devem se utilizar de propostas que trabalhem todas essas potencialidades, sem negligenciá-las. Exemplos dessas propostas são atividades que que visam promover a percepção do outro, a resposta afetiva ao colega e à situação dele, além da própria situação. Elas podem envolver reconhecimento de sentimentos, encenações e práticas para as crianças tratarem os outros do modo que eles querem ser tratados.

Os educandos deve ter acesso a maior quantidade possível de referências sobre o mundo para que sejam capazes de não apenas se conhecerem, mas para que saibam viver e trabalhar em sociedade de maneira responsável e justa.

No vídeo, o professor Rubem Alves, destaca a importância de uma voz e um olhar manso, principalmente por parte dos educadores, pois são atitudes que acolhem o educando e não os tornam refém do medo e da falta de liberdade. Um olhar e uma voz mansa permitem que os alunos se manifestem, sem ter medo de errar ou de se expressar, garantindo o desenvolvimento de suas potencialidades tão importantes para seu crescimento pessoal e social, o pilar aprendendo a ser.

O professor também fala sobre a importância de se treinar o ouvido, para que seja possível "escutar o que não foi dito", ou seja, interpretar as entrelinhas e, com isso adquirir a capacidade de interpretar as coisas corretamente.


É preciso atentar também para as redes digitais que, ao operar por meio de computadores interligados via Internet, potencializam a emergência da sociedade em rede (Castells, 2002), do ciberespaço: surgem ambientes e redes de conversação virtual para informar, opinar, trocar e socializar informações, atuar, comunicar, produzir, divertir, questionar, aceitar, divergir, propor, deliberar, entre pessoas geograficamente distantes em torno a temas e interesses por eles partilhados. Usam comunicação escrita, cores, movimentos, áudio, música, linguagem pictórica e icônica, imagem fixa e audiovisual, dados, criando comunidades de aprendizagem e trabalho em rede.  Quando alguém se conecta à rede mundial de computadores, na realidade abre uma janela para o mundo e para a aprendizagem que se descortina na tela do computador (Harasim, Hiltz, Teles e Turoff, 2000, p.23).  Assim, propomos  complementar o quarto pilar, focalizando o trabalho cooperativo virtual: